Transmitir conhecimento, necessidade urgente nos Centros de Formação de Condutores

Com ensinamento básico, poucas horas, sem o pleno conhecimento do     homem, da máquina e do meio ambiente, dos riscos e adversidades, de atos e condições inseguras concede-se a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), tudo vindo a constituir o principal fator desencadeante da grande sinistralidade no nosso país.

Sabendo dos riscos que uma máquina sobre rodas pode causar, e as estatísticas de sinistralidade comprovando isso, não podemos entender como o estado faz a concessão de uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O candidato sabe apenas conduzir o veículo no trânsito a 30 ou 40 Km/h, subir um aclive e não deixar o veículo retroceder e fazer uma baliza (estacionar). Na realidade aprendeu apenas a fazer o veículo andar. As coisas mais simples são passadas. Esse é o mínimo fornecido nas aulas práticas como ensinamento na formação daquele que ao receber a CNH comemora como se tivesse conquistado um diploma universitário. Falando em curso de qualquer formação, guando o concluímos somos levados a um estágio com monitores, instrutores ou coisa parecida como uma complementação e o desenvolvimento de habilidades.

No Curso de Formação de Condutores, após término, vamos para o estágio sem monitor ou instrutor, colocamos em prática o pouco que aprendemos em vinte dias (20 h). Quase sempre com manias, vícios que adotaremos para o resto da vida já que nem educação continuada (reciclagem) está programada como manutenção da qualidade da atividade desenvolvida na direção veicular. As leis, resoluções, sinalizações surgem a todo o momento e não é dado conhecimento obrigatório ao motorista. Não se conhece os fatores de risco envolvendo o homem, a máquina e o meio ambiente. Acelera-se, freia-se, buzina-se sem o pleno conhecimento da repercussão sobre a saúde. Muda-se de veículo, de direção mecânica para hidráulica, de câmbio comum para o semiautomático ou automático, do freio mecânico para o ABS com informações rápidas fornecidas por um “vendedor”. Vamos para as ruas, sem nenhuma experiência conhecer a real manipulação dos novos acessórios.

Nenhum piloto de aeronave muda o tipo da máquina que está voando para outra sem passar horas no simulador da nova aeronave. É só assim, fornecendo pleno conhecimento da máquina é que vamos formar de maneira consciente e responsável o piloto, o motorista e o motociclista.

Aliás, vale lembrar que o motociclista chega a possuir a carta com treinamento prático em ambiente confinado, sem nenhum conhecimento prático no trânsito. Examinado também em ambiente confinado recebe a CNH e vai praticar o aprendizado individualmente no trânsito louco dos grandes centros.

Parece haver um total abandono a preservação da vida.

O tempo é curto, somente ensinamento básico é fornecido para o aluno transitar. Nada é ensinado com relação aos riscos, adversidades, perigos que serão enfrentados em determinadas situações, de dia, à noite, na cidade e na rodovia. Atividade na chuva, piso escorregadio, neblina, névoa, saber se conduzir diante do ofuscamento, frear o veículo com freio comum e ABS, desviar de obstáculos em situação de emergência e muitos outros. A educação preventiva, defensiva, evasiva aplicada na prática, hoje, não é considerada importante. Ter conhecimentos mínimos de física para entender o ponto de equilíbrio de forças atuantes que levam o veículo à capotagem, a derrapagem e outras situações. O tangenciamento de uma curva. A cinemática do trauma, isto é, quando essas forças atuantes sobre o veículo são capazes de causar lesões ao pedestre, ao passageiro e ao próprio motorista. Tudo compõe uma quantidade e qualidade de ensinamentos necessários a real formação de um condutor.

Hoje, é fornecida a CNH e o motorista recém-formado, acreditando ser portador de todos os conhecimentos necessários, parte para o aprendizado dos riscos e adversidades isoladamente.

Estou convicto de que é hora do DENATRAN atuar de maneira veemente na formação de nossos motoristas. Ampliar horas de treinamento, fazer uso obrigatório de simuladores, inclusive a própria ABRAMET através de seu Departamento de Psicologia de Tráfego, dirigido pela psicóloga Dra. Raquel Almqvist, durante o X Congresso Brasileiro de Acidentes e Medicina de Tráfego, ocorrido na cidade de Foz do Iguaçu (PR), de 11 a 14 de setembro do corrente ano, realizou uma pesquisa entre os profissionais de medicina de tráfego, cerca de 800, oriundos de vários estados credenciados pelos DETRANS, trazendo resultados conclusivos, deixando claro a necessidade da implantação dos simuladores de direção veicular nos cursos de formação de condutores. Números bastante expressivos denotam tal importância. Dentre os entrevistados, que testaram o simulador,  94% consideram que o uso dos simuladores ajudará na formação dos novos condutores, reforçando conceitos teóricos e ajudando a preparar o aluno para situações adversas, onde todos os atos e condições inseguras, adversidades, riscos, emergências seriam treinados (20h), para dalí, conhecendo os riscos, partir para a atividade prática de rua na área urbana, na rodovia, de dia, à noite, no piso molhado, com visibilidade prejudicada, na chuva e por aí a fora (20h), além disso 84% entendem que o simulador de direção deve ser obrigatório em outras ocasiões, como por exemplo: antes da emissão da CNH definitiva  e nos cursos de reciclagem de condutores infratores.

O investimento para ampliação de conhecimentos será o principal elemento na boa formação de nossos motoristas, bem como o maior redutor da sinistralidade. Teremos, sem dúvida, uma redução acentuada da triste estatística de óbitos, vítimas com sequelas temporárias e definitivas no nosso trânsito.

Com a limitação do conteúdo programático dado pela legislação, o artigo 153 do Código de Trânsito Brasileiro ainda impõe punição para os instrutores e examinadores conforme regulamentação estabelecida pelo CONTRAN.

Só existe boa formação quando há investimento e o desenvolvimento tecnológico, hoje, permite irmos muito além de tudo que vemos na formação de nossos condutores.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego
Ocupacional da ABRAMET.
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
www.abramet.com.br

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4 Respostas para “Transmitir conhecimento, necessidade urgente nos Centros de Formação de Condutores

  1. Caro Dr. Dirceu, suas palavras não são privilégio somente do “ motorista recém-formado “. Não venho aqui justificar, e muito menos pactuar com a forma deficiente com que a formação DE UM MODO GERAL, acontece em nosso país hoje, seja com “ condutores de veículos “, engenheiros, administradores, educadores, policiais … etc. Tomemos como exemplo um MÉDICO recém formado, com todos os seus anos de estudo , residência e agora com treinamento em máquinas virtuais, em sua primeira cirurgia real, com o paciente em risco de morte… sob pressão emocional … à ele também foi fornecido o CRM, “acreditando ser portador de todos os conhecimentos necessários”. Quantos erros médicos vem sendo divulgados na imprensa ultimamente ? Seria imperícia ? negligência ? imprudência ? Esses são os fatores que assolam os condutores de veículos também! O motivo do caos ter se instalado no trânsito, é o mesmo que se instalou na saúde pública. Falta de FORMAÇÃO e ESTRUTURA. Quanto ao simulador, não serei demagogo … sou a favor, claro, pois sou proprietário de um Centro de Formação de Condutores, vai fomentar nossa atividade, agora dizer que: “ entrevistados, que testaram o simulador, 94% CONSIDERAM que o uso dos simuladores ajudará na formação dos novos condutores” é conclusão antecipada, sem conhecimento de causa. Muito pouco se comenta mas, no final dos anos 70 início dos 80 o simulador já existiu … EU me habilitei em 1982, fiz aulas de simulador e posso afirmar que, não fez diferença no meu aprendizado, só passando pelas situações do dia à dia no trânsito é que se tem uma idéia REAL dos riscos. Trânsito envolve atenção … emoção … reflexo … capacidade de raciocínio … responsabilidade … respeito … EDUCAÇÃO, aliás a “educação obrigatória na pré-escola, escola de primeiro, segundo e terceiro grau” como determina o CTB, até hoje não existe. Mais uma vez o estado ( despreparado que é ) impõe uma obrigação ( gerando empregos, claro ) cujo custo será repassado ao consumidor final. “ Só existe boa formação quando há interesse e amparo do estado, aplicando e investindo com sabedoria nossos impostos com infraestrutura decente, condições de trabalho e salário digno.”

  2. essa palhaçada simulador e a maneira da venda e se pergunta porque ficar pagando uma mensalidade deste equipamento, abramete a área e de parte medica não em aula pratica

  3. Estranho que no mês de setembro este mesmo site se posicionava contra o atual simulador de direção disponível no mercado e ainda afirmavam que o software era aquém do esperado principalmente em situações de risco. É mais do que obvio o interesse comercial do mesmo, os valores absurdos cobrados pelas empresas e as justificativas pífias sobre o valor de um carro ser o mesmo de um simulador sem nem mesmo esclarecer a mensalidade absurda que os CFCs e Autoescolas vão se submeter.

  4. Verifiquei vários comentários a respeito deste polemico assunto. Porem o que se vê e que as autoescolas terem que obrigatóriamente adquirir o simulador, só que a questão não é esta “ADQUIRIR” e sim o preço que esta sendo praticado no mercado pelo tal simulador, que é um ‘ABSURDO”. Hora se o governo brasileiro, quer implantar, não vejo nada contra, mas sou contra impor a compra disto ao preço que está pois se não funcionar o que os CFCs irão fazer com isto, e mais quem vai pagar a conta do ‘simulador’ parado num canto, e o banco não quer nem saber quem o inventou. Será que alguem já pensou por este lado, pois economicamente para os CFCs,. se realmente funcionar beleza, mas se não? O valor dá mais que o valor de um CARRO, é absurdo.

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